Considerações acerca da prática docente...

Author: Raffael /

A educação desde o surgimento do Estado Liberal, tem sempre lugar central nas discussões sociais, seja para formar cidadãos, plenos, conscientes e livres ou para alienar e manter cada qual no seu lugar. É no bojo destas discussões que a prática docente aparece como um sub-tópico dentro da educação de grande relevância, haja vista que é a partir da forma com que o educador age em sala de aula que ocorrerá em grande parte o aprendizado do aluno.



Pensando um pouco sobre as formas com que um professor pode exercer sua docência, surgem dois sistemas, é válido realçar que estes sistemas não se encerram em si mesmos e que pode haver confluências de um em outro, os dois modelos/sistemas são o técnico-racional e o crítico-reflexivo.





O modelo técnico-racional pode ser identificado com a ciência positivista surgida no século XIX. Este modelo teórico enxerga a relação professor x aluno de maneira dicotômica, o professor é aquele detentor do conhecimento e responsável por transmiti-lo aos alunos, estes por sua vez são considerados como uma tábua rasa e que não trazem consigo nenhum aprendizado, sendo o professor o responsável por inscrever o conhecimento no aluno. Este modelo positivista, que teve Augusto Comte como seu principal teórico, também distinguia incisivamente teoria x prática, isto é, os cientistas são aqueles responsáveis por pesquisar e construir o conhecimento e que se sobrepõem hierarquicamente ao exercício do ensino e da prática docente, funções separadas e que não se cruzam a partir deste sistema.


Em contraponto a este modelo surgiu na segunda metade do século passado o que compreendemos por exercício docente crítico-reflexivo. Para além de ser diferente e contrário ao modelo técnico-racional, a proposta de uma docência crítico-reflexiva perpassa por uma reformulação nos conceitos professor, aluno e escola. Falando um pouco dos educadores, estes devem partir do pressuposto que seus alunos já vão à sala de aula carregados de experiências e aprendizados acumulados, portanto não tábuas rasas simples depósitos de conhecimento, o professor crítico-reflexivo é também um cientista em sua área, pesquisa, constata e descobre novas coisas para a educação. Sua prática docente não coloca seu conhecimento de maneira superior ao conhecimento do aluno.




Um dos grandes desafios para a prática crítico-reflexiva atualmente é a precarização do trabalho docente e este é um dos argumentos mais defendidos por aqueles que ainda utilizam de métodos positivistas na docência, mas é necessário para que nos tornemos educadores crítico-reflexivos um esforço mútuo dos docentes para que paulatinamente possamos transformar a educação.

Considerações sobre o primeiro dia de aula de um educador...

Author: Raffael /

Para qualquer educador iniciar um novo trabalho é sempre um desafio. Não sabemos como a nova turma que iremos trabalhar irá reagir aos métodos com os quais trabalhamos, é por isso que apesar de desde já algum tempo os profissionais da educação procuram que seus novos educandos se apresentem. Esta é uma maneira de fazer com que para além de o educador conhecer a turma, os próprios colegas de classe possam também se conhecer e de se (re)conhecer em alguns casos.



Muito importante é que o professor compreenda que cada turma é singular e cheia de pluralidade, desta forma ele pode utilizar a primeira aula de apresentação para poder perceber o que é comum na turma em que daquele momento em diante irá trabalhar, assim como as especificidades e características peculiares de alguns alunos. Para isso é importante se trabalhar com algumas dinâmicas de interatividade, para que quebre o “gelo” da sala e que a comunicação flua de maneira solta e desprendida de medos e temores.




Dinâmicas boas para esses casos são aquelas que permitam que haja uma interação entre os alunos e que os contemple em sua maioria, permitindo que possa haver troca de informações e interpretações destas informações, e que as experiências sejam transpostas para o grupo da classe inteira, para que cada um possa tentar mostrar aos demais “quem são seus colegas”.